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A
Lenda
Conta antiga lenda
indígena que vivia no sul da Bahia, muito antes da chegada de
Cabral, uma índia de rara beleza, chamada Yamara. De tão bonita
tirava o sono dos jovens índios de toda a região, presos à sua
imagem, de longos cabelos e sorriso encantador.
Yamara não dava a menor atenção aos inúmeros pretendentes. Ela
já era prometida ao melhor guerreiro e caçador da tribo, o jovem
índio Marahu.
No entanto, apareceu um dia, subindo o rio no maior barco já
visto naquela região, um guerreiro poderoso, que manobrava o
barco sem remos, usando somente a força dos ventos. Os índios
logo o identificaram como Ubiracy, o poderoso senhor dos ventos
e filho de Tupan, que viera atraído pela fama da beleza de
Yamara, que despertava admiração do sol e ciúme da lua.
Yamara desta feita não pôde recusar o poderoso pretendente e
aceitou ir-se para ser a rainha nos domínios do filho de Tupan.
Mas foi grande a comoção na tribo, pois eles acreditavam que a
beleza de Yamara atraía boa sorte para tribo. Achavam que sem
ela não haveria mais as grandes caçadas e pescarias. Por essa
razão a tribo, com Marahu à frente, queixou-se a Tupan. Este
para tornar a disputa mais justa deu a Acarahy, irmão de Yamara,
e a Marahu, seu pretendente, poderes exatamente iguais aos de
seu filho Ubiracy, o senhor dos ventos. Tais poderes eles
possuiriam exatamente por 7 dias.
Com os poderes recebidos Acarahy criou Camamu (que significa
abundância), com sua famosa baía, plena de ilhas, cachoeiras e
enseadas, muito rica em toda sorte de peixes, camarões e frutos
do mar.
Enquanto isso Marahu pegou sua canoa e saiu em perseguição ao
barco de Ubiracy, que levava Yamara com ele. Ubiracy então jogou
uma pedra, que tornou-se uma ilha de pedra entre seu barco e a
canoa. Marahu com um gesto furou a ilha e atravessou-a em sua
canoa. Criou-se assim a famosa ilha da Pedra Furada. Não podendo
perseguir de canoa, o barco de Ubiracy, já em alto mar, Marahu
foi criando a península mar adentro e seguindo por ela. A
perseguição durou uma semana. Ao final do último dia,
compreendendo que logo estaria sem os poderes, Marahu criou o
outeiro de Taipu e lá subiu para tentar avistar o barco de
Ubiracy. Não o avistando, compreendeu que perdendo os poderes
perderia para sempre sua amada.
Assim Marahu chorou e suas lágrimas deram origem às águas mornas
e cristalinas das piscinas naturais.
No pôr-do-sol do sétimo dia, usando seu último momento de poder,
Marahu determinou que quem se apaixonasse na península que tomou
o seu nome, a península de Marahu, seria correspondido e seria
feliz.
Hoje os casais que passam suas férias na penísula de Marahu,
voltam sempre. As mulheres confirmam que seus amados estão mais
amorosos, sua lua de mel está renovada e que a profecia está se
cumprindo. Alguns homens comentam até que ficaram mais poderosos
também. Mas aí acho que já tem um pouco de conversa de pescador.
De qualquer forma, só pelas maravilhosas praias, ilhas,
cachoeiras e lagoas, façam esta aposta. Venham. Vocês só tem a
ganhar.
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